Caderno de estratégia

A decisão que os sócios adiam

Sociedade, por Gustavo Cançado

Em quase toda sociedade existe um assunto que volta à pauta todo mês e nunca fecha. Pode ser uma expansão, a saída de um produto, a reorganização de uma área, o papel de um dos sócios no dia a dia. Todos sabem que precisa ser resolvido. Ninguém quer ser quem força a resolução.

O adiamento parece prudente. Mas adiar também é uma decisão, com custo próprio: a equipe percebe a indefinição, projetos ficam esperando, oportunidades passam, e o assunto acumula peso emocional a cada reunião em que é empurrado.

Por que é tão difícil

Decisões entre sócios misturam três camadas que raramente são separadas: a questão de negócio, a relação entre as pessoas e a história compartilhada. Uma discussão sobre abrir uma nova unidade pode ser, ao mesmo tempo, uma discussão sobre quem tem mais voz, sobre um erro de três anos atrás e sobre o que cada um quer para a própria vida.

Enquanto as camadas estiverem misturadas, qualquer argumento de negócio é lido como argumento pessoal.

Muitas decisões não travam por falta de informação. Travam porque ninguém separou o que está sendo decidido.

O que costuma destravar

  • Escrever a decisão numa frase, com as alternativas reais, inclusive a de não fazer nada.
  • Explicitar os critérios antes de discutir as opções.
  • Dar um prazo para decidir, e combinar o que acontece se o prazo passar.

Um olhar externo ajuda aqui não porque sabe mais sobre a empresa, mas porque não carrega a história. Consegue fazer a pergunta que, vinda de um dos sócios, soaria como provocação.

Se alguma dessas situações parece familiar, podemos conversar sobre o caso da sua empresa.