A decisão que os sócios adiam
Em quase toda sociedade existe um assunto que volta à pauta todo mês e nunca fecha. Pode ser uma expansão, a saída de um produto, a reorganização de uma área, o papel de um dos sócios no dia a dia. Todos sabem que precisa ser resolvido. Ninguém quer ser quem força a resolução.
O adiamento parece prudente. Mas adiar também é uma decisão, com custo próprio: a equipe percebe a indefinição, projetos ficam esperando, oportunidades passam, e o assunto acumula peso emocional a cada reunião em que é empurrado.
Por que é tão difícil
Decisões entre sócios misturam três camadas que raramente são separadas: a questão de negócio, a relação entre as pessoas e a história compartilhada. Uma discussão sobre abrir uma nova unidade pode ser, ao mesmo tempo, uma discussão sobre quem tem mais voz, sobre um erro de três anos atrás e sobre o que cada um quer para a própria vida.
Enquanto as camadas estiverem misturadas, qualquer argumento de negócio é lido como argumento pessoal.
Muitas decisões não travam por falta de informação. Travam porque ninguém separou o que está sendo decidido.
O que costuma destravar
- Escrever a decisão numa frase, com as alternativas reais, inclusive a de não fazer nada.
- Explicitar os critérios antes de discutir as opções.
- Dar um prazo para decidir, e combinar o que acontece se o prazo passar.
Um olhar externo ajuda aqui não porque sabe mais sobre a empresa, mas porque não carrega a história. Consegue fazer a pergunta que, vinda de um dos sócios, soaria como provocação.
Se alguma dessas situações parece familiar, podemos conversar sobre o caso da sua empresa.